2/27/2009

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Há pedaços de mim que nem eu próprio ainda descobri. Há bocados de vida que não me lembro se vivi mas que existem sempre que me vejo frente-a-frente comigo mesmo. Há palavras que procuro sabendo no entanto que nunca as acharei. Foi em mim que explodiste os estilhaços, aparei-os de braços abertos porque nada havia a temer, pois no peito onde deixaste os despojos, nada havia antes deles. (Oldmirror)

Na lista dos teus fins venho no fim
de uma página nunca publicada,
e é justo que assim seja. Embora saiba
mexer palavras, e doer de frente,
e tenha esse talento conhecido
de acordar de manhã, dormir à noite,
e ser, o dia todo, como gente,
nunca curei, como previa, a lepra,
nem decifrei o delicado enigma
da letra morta que nos antecede.
Por muito te querer, talvez pudesses
dar- me um lugar qualquer mais adiante,
despir- te de pudor por um instante
e deixá-lo cobrir-me como um manto.
- António Franco Alexandre

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7/05/2008

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O romantismo em 2007
"1 hora a andar pela tua rua no Google Earth."

O romantismo em 2008
"Procurar os teus comentários nos outros blogs."
- Bruno Sena Martins

Debaixo do colchão tenho guardado
o coração mais limpo desta terra
como um peixe lavado pela água
da chuva que me alaga interiormente
Acordo cada dia com um corpo
que não aquele com que me deitei
e nunca sei ao certo se sou hoje
o projecto ou memória do que fui
Abraço os braços fortes mas exactos
que à noite me levaram onde estou
e, bebendo café, leio nas folhas
das árvores do parque o tempo que fará
Depois irei ali além das pontes
vender, comprar, trocar, a vida toda acesa;
mas com cuidado, para não ferir
as minhas mãos astutas de princesa.
- António Franco Alexandre

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