10/13/2010

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Indecisão. Necessidade absoluta de decidir. Escolher. Seguir por um dos caminhos. Agir. Acções demasiado dolorosas para a quem basta deixar-se levar pelo rio, sabendo de antemão onde acabará. Projectar cenários. Antever o futuro. Justificar gestos. Argumentar. Obrigações insuportáveis para quem há muito decidiu simplesmente existir. Corresponder a olhares. Disfarçar o desinteresse. Completar metades. Representações inverosímeis de quem apenas entrou na peça por obrigação, sob a promessa que nada mais seria do que um minúsculo "product placement", longe da tábua onde passeiam os protagonistas. (Oldmirror)

Não sei para que lado da noite me hei-de virar
onde esconder de ti o rio de fogo das lágrimas
quase a transbordar e acendo mais um cigarro
e falo atabalhoadamente de um futuro qualquer
e suspiro de alívio porque não ouves o que digo
ou se calhar também não sabes onde te esconder
esesperamos que se ilumine o lado certo da noite...
- Carlos Alberto Machado

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2/12/2009

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Inspiro o fumo como se buscasse nele a inspiração para dobrar o cabo de mais uma noite em que o sono não veio, tu não vieste e ao meu lado jaz um corpo de quem ignoro qualquer história. Expiro o fumo como se expirasse o prazo de uma vida a quem foi roubado o mote, a quem foi tirada a carne e o sumo e a quem restam os ossos nada duros de roer. Espero. Há muito, sem pressa. Resigno-me e deixo-me ficar, na cama onde dorme o corpo de quem ignoro a história mas de quem sinto o calor que me arrepia por saber que dele me aproveito como se roubasse àquele livro em branco o branco que lhe resta em mim. Apago o fogo da ponta do cigarro como se de nova cruz no calendário se tratasse, como se na ampulheta dos sentimentos, menos areia restasse no lado de cima da vida. Assusto-me com a contagem desfavorável e acendo nova chama. Inspiro e expiro. Ainda respiro. (Oldmirror)

Não sei para que lado da noite me hei-de virar onde esconder de ti o rio de fogo das lágrimas quase a transbordar e acendo mais um cigarro e falo atabalhoadamente de um futuro qualquer e suspiro de alívio porque não ouves o que digo ou se calhar também não sabes onde te esconderes esperamos que se ilumine o lado certo da noite é quando se esgotam as palavras e os silêncios e a minha mão procura a tua que a recebe e a noite se unifica e todos os rios secam menos um por onde navegamos para abolir a noite.
- Carlos Alberto Machado

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