179

.
Foi por amares o mar que não te pude amar. Foi por te refugiares na areia que te deixei no areal. Foi por respirares a brisa que não te deixei respirar adormecer no calor dos lençóis que não usamos. Porque quem ama o mar, caminha na areia e inspira o vento dificilmente viveria mergulhada num oceano de dúvidas, limitada à distância das paredes e recolhendo do ar o peso por mim deixado. Foi por teres visto o oceano que te larguei à deriva. Foi por mereceres a Terra que enverguei as asas do anjo. Foi por ires mais além que não saí do meu lugar. Foi por ter provado as lágrimas salgadas dos teus olhos que a doca seca que são os meus não te olharam mais. Foi por amor ao amor que to entreguei de mão beijada, para distribuires por essas ondas. E agora vai, faz o que te digo, que na costa o farol de pedra em que me tornarei velará o rumo que segues nessa praia de maré cheia. (Oldmirror)
.
O universo não me traz mágoa.
Sobretudo,
amar a areia
arrebata-me de júbilo e paixão.
Amar o mar completa a minha vida
com o tacto de um amor imenso.
Mas veio o vento e,
por momentos,
amargurou o meu corpo,
a oscilar.
E está o Sol aqui,
depois de uns dias
com o jardim obscurecido a beber sombra.
E sei que os átomos zumbem
e dançam como os insectos,
ébrios em redor do pólen.
.
- Fiama Hasse Pais Brandão
Etiquetas: Fiama Hasse Pais Brandão





