5/31/2007

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Era ali que eu vivera mais do que alguma vez vivi ou viverei. Era ali que a existência de tudo o que transporto foi sendo desenhada e regada como o alecrim e as rosas, as camélias e as orquídeas. Foi ali que vivi, pela última vez que vivi. Era ali que os amava, a primeira vez que os amava. (Oldmirror)

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.
E telhados
a de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.
A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
- Vitorino Nemésio

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7/08/2005

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[Foto by Oldmirror]

O país em chamas, no Porto cai cinza, não neve. (Oldmirror)

"No lance do verbo jogo,
Mas, se vigio o meu lado,
A boca sabe-me a fogo
Do sentido inesperado."

- Vitorino Nemésio

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