6/26/2009

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Na procura das palavras correctas, foi passando demasiado tempo até que regressasse ao ponto de partida. Parti em busca de emoções perdidas, cruzei esquinas demasiado iluminadas até que a pele me indicasse o local certo onde as encontraria. São distâncias que temos que precorrer, caminhos que não evitamos trilhar, com a certeza que iremos voltar ao ninho onde tudo começa. Agora que devolvo o que nunca me pertenceu é aqui que quero ficar, é aqui que irei recomeçar, nesta terra fria, escura, mas fértil. (Oldmirror)

Aquele que o meu coração ama
ergueu-se do meu leito e nele esqueceu
as repetidas promessas de um regresso
em que aos meus olhos ensinaria

a única maneira de esconder
o prenúncio de invisíveis desertos
aquele que o meu coração ama
afogou em noites de leite e mel
o rasto dos oásis que
teciam a sede do desejo no meu peito
e bebeu neles as horas de um destino que
me acenava de muito longe
aquele que o meu coração ama
partiu às cegas sem descobrir
as húmidas palavras que se espalham
à sombra dos ciprestes
contando os minutos que faltam
para a vertigem do corpo onde o aguardo

- Alice Vieira

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5/23/2008

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Caminho dentro de ti, planto-me, cresço-me, pairo e faço barulho, sem que me sintas. Sussuro-te, falo-te, instalo-me nos teus sonhos, sem que me oiças. Embalo-te, aconchego-te, cubro-te, sem que me percebas. Dou-me, vendo-me, ofereço-me, sem que me licites. Vivo. sobrevivo, morro, sem que me olhes. (Oldmirror)
deito-me à sombra das tuas pernas
e o corpo arde em todos os movimentos
que não ousaste prolongar
na toalha branca da minha pele
deste lado a dor
é completamente minha
e por assim dizer inútil
era capaz de jurar
que nem me viste
- Alice Vieira

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