5/13/2009

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Sempre que te provo, não me sacio. Sempre que me acelera o coração, é porque te adivinho por perto. Sempre que me faço ao mar, é em ti que me quero perder. Sempre que me esvaio em sangue é apenas a tua mão que o pode estancar. Oldmirror
Havia no seu corpo uma saída. Podia através dela ir até onde quisesse, de momento que a porta não ficasse a bater com um ruído que a maior parte das pessoas confundia com o bater do coração. Não consta que o sangue o perseguisse senão muito raramente e mesmo assim não para além da beira-mar.
- Luís Miguel Nava

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10/03/2008

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Correu para a gaveta. Foi rebuscando, aumentando a desordem que ela sempre encerrara. Tirou o fio do norte. Cortou o suficente para que lhe desse a volta ao pescoço. Empurrou com força a gaveta. Correu para o armário. Entrou nele. Acendeu a pequena lanterna. Sentou-se com a caixa da costura no seu colo escolhendo no frasco dos botões os maiores e mais coloridos. Encheu o fio do norte com os botões, grandes e coloridos. Fechou a pequena lanterna. Saiu do armário olhando para aquilo que se assemelhava a um colar. Sabes, já não tenho medo de fechar os olhos, acabei de inventar um espanta-sonhos...maus. (Oldmirror)
Assoam-se-me à alma
quem como eu traz desfraldado o coração
sabe o que querem dizer estas palavras.
A pele serve de céu ao coração.
- Luís Miguel Nava

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11/20/2007

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Era o frio que sentia a entrar nos lençóis pretos quando a noite dava lugar ao dia que repetidamente davam o aviso: saíra antes de acordar. O hábito da fuga repetida era proporcional ao sonho com que encerrava a cerimónia da carne marinada pelo álcool, pelo tabaco e pelo suor com que alimentava o vício de recusar a solidão. Sonhava que acordaria sem que, por uma vez, os sinais de que naquela tinha existido vida não se resumiam ao cinzeiro a transbordar, ao whisky vertido nas páginas de um livro de Auden, ao bilhete de despedida ou à peça de roupa esquecida. Sonhava que os sinais de vida seriam, um dia, um corpo morno e cansado de onde escapava uma respiração profunda de prazer indefeso. (Oldmirror)

A pele era o que de mais solitário havia no seu corpo.
- Luís Miguel Nava

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