11/24/2006

163



Caminhar saboreando cada passo dado nas ruas escurecidas pelas nuvens carregadas de desgosto e de lágrimas ainda por chorar. Esvaziar o peito de ar e deixar que a alma adormeça para olhar em volta e ver todas as outras almas. Olhá-las com atenção, ver cada sorriso, cada ruga, cada angústia revelada no gesto nervoso de quem ainda não escolheu a direcção a seguir. Olhar a vida dos outros em cada olhar fixado no chão onde moram os pensamentos de vidas mais cinzentas dentro de quatro paredes que as nuvens pesadas fora delas. Seguir lentamente. Virar as esquinas com a certeza de não encontrar nada de novo. Ver a vida pulsar por fora porque por dentro há muito que o coração deixou de pular para bater num cadenciado que anuncia a certeza de corpos adormecidos, apenas resistindo. Há vida lá fora com morte por dentro. Quantos sorrisos são lágrimas? Quantas certezas são dúvidas? Quantas mudanças são só continuidades? Quantas qualidades apregoadas são cortinas do amor próprio atraiçoado? Afaga-las, é preciso afaga-las. (Oldmirror)

My love and I, we work well together
But often we're apart
Absence makes the heart lose weight,
Till love breaks down, love breaks down
Oh my, oh my, have you seen the weather
The sweet September rain
Rain on me like no other
Until I drown, until I drown
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurting you
When love breaks down
The lies we tell,
They only serve to fool ourselves
My love and I, we are boxing clever
She'll never crowd me out
Fall be free as old confetti
And paint the town, paint the town
When love breaks down
You join the wrecks
Who leave their hearts for easy sex
When love breaks down

- Paddy McAloon

Etiquetas:

11/20/2006

161



E depois vem-me com a história do regressar ao passado para tudo fazer diferente, para remendar os buracos cavados com a ausência, as ausências criadas de medos, os medos feitos do desconhecido que nunca foi capaz de encarar. E depois vem-me com a história de voltar a trás e reescrever a história, mudando-lhe as vírgulas, os pontos e as interrogações, mas deixando intactas as exclamações e as reticências que foram marcando o compasso de uma existência longínqua nada preparada para arriscar o futuro, quanto mais para reconstruir o passado. E depois vem-me com com a história de um imenso vazio, uma espécie de buraco negro em que caiu por saber agora que o passado, na altura presente, nunca deveria ter sido construído com as reservas de quem julga ter tudo a perder mas nunca reparou que nada tinha em si que pudesse perder a não ser o agora imenso vazio, na altura terra fértil e virgem a quem as sementes foram recusadas. E agora vem-me com a história de alguém que já não tem história, lamenta o passado e não vê o futuro. O futuro já foi feito, é outra história. (Oldmirror)

You surely are a truly gifted kid
But you're only good asThe last great thing you did
And where've you been since then
Did the schedule get you downI hear you've got a new girlfriend
How's the wife taking it ?
If it's uphill all the way you should be used to it by now
You must know me, Father it's your son
And I know that you are proud of everything I've done
But it's the wonders I perform,
Pulling rabbits out of hats
When sometimes I'd prefer
Simply to wear them
If it's uphill all the way you should be used to it and say
My back is broad enough sir to take the strain and it's
Hello mother, it's your son and aren't you proud, of all I've done
But I'm turkey hungry, I'm chicken free, and I can't breakdance on your knee
But it's "stay right there son, baby do", while I is itchin' for something new
So watch me hawkeye and understand the force of will, the sleight of hand
Movin' the river, I'm turkey hungry, I'm chicken free and I can't breakdance on your knee
Movin' the river, bucket by spoon, and do you think that they'll like me when they learn what I do
Movin' the river, money for jam, and it takes such an effort to stay where I am...

- Paddy McAloon

Etiquetas:

11/16/2006

159



E se já tudo foi dito? Se já não existe uma única emoção, um único lamento que mereça uma palavra a mais? E se o que resta não é mais do que a simples existência sem a tempestade da reflexão ou o sobressalto da dúvida permanente? E se fosse perdida a vontade de fazer um pouco mais do que já foi feito e apenas passasse a fazer sentido pairar ao sabor de um vento que não se sabe se virá? Não há nada a perder porque tudo foi já perdido e assim, sem mais, é tempo de recomeçar, voltar a dizer: vende-se. Fazer as malas e partir, carregando-as até se ouvir: abre-as, arruma as tuas coisas e fica durante uns tempos. (Oldmirror)

I spend the days with my vanity
I'm lost in heaven and I'm lost to earth
Didn't give you minutes not even moments
All my life in a tower of foil
Shaded feelings, don't believe you
When you were there before my eyes
No one planned it took it for granted
I count the hours since you slipped away
I count the hours that I lie awake
I count the minutes and the seconds too
All I stole and I took from you
But Bonny don't live at home, he don't live at home
Words don't hold you, broken soldiers
All my silence and my strained respect
Missed chances and the same regrets
Kiss the thief and you save the rest
All my insights from retrospect
But Bonny's not coming home, he don't live at home
Save your speeches, flowers are for funerals

-Paddy McAloon

Etiquetas:

11/10/2006

158



Esquecer o sabor de uma pele, o gosto de um beijo, o arrepio aconchegante do suor libertado nos lencóis que atrapalham. Viver de olhos fechados para a carícia prometedora, o olhar rendido, a troca de posições num campo de batalha onde o inimigo é o fim. Voltar atrás. Riscar da memória o cheiro intenso das horas intensas, as marcas pintadas e as roupas arruinadas. Parar de caminhar. Libertar os pulmões sem que se soltem as palavras ditas em tom ofegante, os risos ansiosos daquilo que ainda estava para vir, o ar consumido em dobro ou em triplo. Sossegar. Esperar pelo dia seguinte. Esperar pelo sussurrar no ouvido de novas vertigens que adivinhem o futuro, que fiquem no futuro, que esqueçam o caminho de volta. Tocar de novo. Apostar no escuro sem hesitar, sem considerar a palavra perder, sem olhar para trás porque de lá nada se trouxe. Construir. Com um pouco mais de um corpo. (Oldmirror)

I've got six things on my mind you're no longer one of them
Desire as a self-figured creature who changes her mind ?
They were the best times, the harvest years with jam to lace the bread
So goodness, goodness knows why I'd throw it to the birds
But there it is, and there we are
And all I ever want to be is far from the eyes that ask me
In whose bed you gonna be and is it true you only see
Desire as a self-figured creature who changes her mind ?
It's perfect as it stands so why then crush it in your perfect hands ?
Desire as a self-figured creature who changes her mind ?
I've got six things on my mind you're no longer one of them
So tell me you must have thought it all out in advance
Or goodness, goodness knows why you'd throw it to the birds
You mock the good things, you play the heart strings, play them one by one
But there it is, and there we are
And all I ever want to be is far from the eyes that ask me
In whose bed you gonna be and is it true you only see
Desire as a self-figured creature who changes her mind ?

- Paddy McAloon

Etiquetas:

Estou no blog.com.pt - comunidade de bloggers em língua portuguesa
Oldmirror© 2005-2011 All Rights Reserved.