1/10/2010

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E num ápice ficamos entre o amor e a parede. Sem que saibamos bem porque foi que um dia achamos que o poderíamos contornar. Eis-nos então a meio do caminho, conhecendo agora um pouco da estrada que deixamos atrás e a que entretando já fomos trilhando. A meio do caminho, maiores, descobrimos que andámos em círculos que invariavelmente nos trouxeram a este meio, entre o amor e a parede. Ambos nos pertencem, ambos nos pertencemos. Mais do que saber a quem voltar as costas, procuramos agora saber como voltar as costas sabendo sempre que esta parede e este amor nos pertencerão e a eles pertenceremos. (Oldmirror)

Eu acredito que a distância, muito mais do que a proximidade, é o caminho onde o risco é maior de vir a ser encontrado.
- Rainer Maria Rilke

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1/17/2006

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Descobriste-me. Sentiste-me. Soubeste-me. Revelaste-me. (Oldmirror)

como hei-de segurar a minha alma para ela não tocar na tua?
como hei-de levá-la por cima de ti para outras paragens?
gostaria de arrumá-la em algum lugar perdido no escuro,
num sítio estranho e tranquilo que não transmite
as vibrações que produzes nas tuas profundezas.
mas tudo o que nos toca, a ti e a mim, junta-nos
como a arcada do violino que faz uma voz de duas cordas.
em que instrumento estamos esticados?
e quem é o violista que nos tem na mão? (...)


- Rilke

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1/04/2006

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Há momentos emque nos sentimos amarrados. Há alturas em que nem toda a força do Mundo nos consgue empurras para a frente. Há vidas onde por muito que consigamos nadar contra a maré as forças acabam e sem elas desistimos de procurar a praia das areias brancas. Por quanto tempo conseguiremos querer amar sem que o possamos fazer? Por quanto tempo conseguiremos querer sem querer? Estamos cansados, não teremos por isso direito ao descanso, a sermos embalados pelos braços que apenas ao longe se vão agitando? (Oldmirror)

You who never arrived in my arms,
Beloved, who were lost from the start,
I don't even know what songs would please you.
I have given up trying to recognize you
in the surging wave of the next moment.
All the immense images in me -- the far-off,
deeply-felt landscape, cities, towers, and bridges,
and unsuspected turns in the path,
and those powerful lands
that were once pulsing with the life of the gods
-- all rise within me to mean you, who forever elude me.
You, Beloved, who are all the gardens
I have ever gazed at, longing.
An open window in a country house-- ,
and you almost stepped out, pensive, to meet me.
Streets that I chanced upon,
-- you had just walked down them and vanished.
And sometimes, in a shop, the mirrors were still dizzy with your presence and,
startled, gave back my too-sudden image.

Who knows? Perhaps the same bird echoed through both of us yesterday,
separate, in the evening...

- Rainer Maria Rilke

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9/07/2005

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[Foto by Marcus Carlson]

Como ervas daninhas vou procurando avidamente a terra que me receba, a água que me alimente o sol que me ajude a crescer. Plantei-me em ti e cresci. Provavelmente, roubei-te o que tinhas e o que não tinhas. Sequei-te. Secaste-me. Agora, murcho, não crescerei mais. Não há campo onde o possa fazer. Não há vaso que me ofereça a terra que procuro. A terra onde, como semente, me aconchegaria até poder, de novo, procurar o sol. (Oldmirror)

Acima de tudo não me plantes no teu coração.
Eu cresceria demasiado depressa.
- Rilke

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7/05/2005

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[Foto OverTheRhine]

You, you only, exist.
We pass away, till at last,
our passing is so immense
that you arise: beautiful moment,
in all your suddenness,
arising in love, or enchanted
in the contraction of work.
To you I belong, however time may
wear me away. From you to you
I go commanded. In between
the garland is hanging in chance; but if you
take it up and up and up: look:
all becomes festival!

- Rainer Maria Rilke

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