1/07/2011

403



Não há outra forma de o dizer: Estou em baixo, bem mais baixo do que me lembro de alguma vez estar. Por isso, vou fazer sinais mais discretos, mais escuros, agora apenas quero que eles cheguem ao Mundo e não ao degrau que me fez escorregar e cair...de novo.
O “Sinais”, segunda-feira, passa a ser por convite (nabokov_1@hotmail.com) até que me esqueça que o degrau que julgava faltar para chegar à luz tornou-se o degrau que me revelou que há mais escuro do que o escuro que conhecia. (Oldmirror)
Debruça-te para o interior do meu vazio. Nenhum rosto, nenhum pensamento, nenhum gesto inútil. Nenhum desejo - porque o desejo precisa de um rosto. E no lugar daquele que partiu acende-se a noite.
- Al Berto

Etiquetas:

7/17/2009

338



O arrepio chega muito antes do toque, chega quase sempre com a voz, chega com os gestos que trocamos mesmo antes de sabermos que os fazemos. O prazer chega primeiro. Chega quando chegamos, quando olhamos, quando ficamos ali, parados, apenas. O nós nunca chegou, sempre existiu, e só a sua existência basta para que os estômago se contraia, para que os músculos se mostrem para que o arrepio e o prazer existam. Se morresse o toque, desaparecesse a voz, esquecessemos a carne, recusássemos a invasão mútua dos corpos; mesmo assim sentiríamos o arrepio, o prazer, a existência. Mas agora toco-te, falo-te e invado-te a carne; é tempo de o fazer.
- Oldmirror (“existimo-mos” – 27/09/07)
Sei que darei ao meu corpo os prazeres que ele me exigir. vou usá-lo, desgastá-lo até ao limite suportável, para que a morte nada encontre de mim quando vier.
- Al Berto

Etiquetas:

6/18/2008

266



Poderá um corpo distante provocar tamanha tempestade? Qual será o poder da palavra oferecida no momento certo? Será a imaginação demasiado fértil ou será fértil o terreno que começamos a pisar? Quanto vale cada quilómetro em direcção contrária e qual será o tempo previsto para um primeiro olhar? Por entre malas feitas e desfeitas existe o tempo que se evita, existe o momento que se teme e se deseja, existe a esperança de ser, ou não ser, tanto assim, existe a certeza que poderá ser uma certeza. E se fosse desta? (Oldmirror)

As mãos redescobriram o silêncio.
Praticam essa arte muito antiga
de na imobilidade
tudo desejarem.
- Al Berto

A vida
tal como está
é muito estranha.
A vida está confusa.
E inquietante.
O que até é bom.
Reformulo: Nada tranquila...

Calendário:
Contra a água, dias de fogo.
Contra o fogo, dias de água.
- Octávio Paz

Etiquetas: ,

9/05/2006

129



Ligado. Nas frases escolhidas arrancadas do íntimo para desenharem uma tímida foto, no espreitar viciante de uma vida que segue ora longe, ora perto, num ar semelhante que me sinto respirar, num laço que continua a esticar em vez de se cortar. Engulo a poção exagerada do esquecimento que se revela ineficaz, amordaço a memória e continuo a limpeza da pele mas, impotente, continuo ali, nos mesmos locais, nos mesmos sentidos, como se o chá bebido tivesse como efeito uma qualquer eternidade. (Oldmirror)

Ter o que foi, em mim, e ter esquecido.

- Pedro Tamen

Porque onde termina o corpo deve começar outra coisa outro corpo.

- Al Berto

O tempo não tinha dimensão, ou se a tinha não a tem agora...

- Pedro Tamen

Etiquetas: ,

9/22/2005

30


[Foto by WIlfried Danner]

Como o mar, vou e volto. Agito-me e tranquilizo-me. Como o mar, sou salgado. Frio e tempestuoso. Como o mar, procuro a minha praia de areias brancas mas tenho encontrado só rochedos bem maiores que o que trago dentro do peito. (Oldmirror)

Todo o santo dia bateram à porta.
Não abri, não me apetecia ver pessoas, ninguém.
Escrevi muito, de tarde e pela noite dentro.
Curiosamente, hoje, ouve-se o mar como se estivesse dentro de casa.
O vento deve estar de feição.
A ressonância das vagas contra os rochedos sobressalta-me.
Desconfio que se disser mar em voz alta, o mar entra pela janela.
Sou um homem priveligiado, ouço o mar ao entardecer, que mais posso desejar?
E no entanto, não estou alegre nem apaixonado, nem me parece que esteja feliz.
Escrevo com um único fim: salvar o dia.
- Al Berto

Etiquetas:

7/21/2005

10


[Foto de Bruce Barrien]

Procuro-te sem saber se alguma vez te encontrei. Temo que a vida nunca me venha a deixar ter-te por perto. Lamento este vaguear constante em que me tornei, fazendo tempo para que me surjas, um dia, pela frente. Está frio e resta apenas um cobertor. (Oldmirror)

"Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer

a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas

um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz

quero morrer
com uma overdose de beleza

e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador"

- Al Berto – Vigílias

Etiquetas:

Estou no blog.com.pt - comunidade de bloggers em língua portuguesa
Oldmirror© 2005-2011 All Rights Reserved.