6/27/2011

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Viver. Apenas isso deveria bastar. (Oldmirror)


Inventarei o dia onde contigo
e o outono corra pelas ruas.
A luz que pisamos é tão perfeita
que não pode morrer, como não morre
o brilho do olhar que te viu despir.
- Eugénio Andrade

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1/15/2010

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Apago as luzes, apagos as velas e com elas solto um pouco mais do ar que aquece o coração. (Oldmirror)

Tinham o rosto aberto a quem passava
Tinham lendas e mitos
e frio no coração...
- Eugénio de Andrade

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2/14/2007

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Tíqui. Líqui. Bíbi. Síqui. Wíqui. Fífi...(Oldmirror)
.
Respiro o teu corpo
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
.
- Eugénio de Andrade

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9/11/2006

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Não consigo. Não páro de olhar. Ontem esqueci-me de comer. Hoje esqueci-me de dormir. Sinto o cansaço tomar conta de mim, mas aquilo impede-me de me render. Ainda há luz. estava Apagada e já se acendeu. O carro já saiu mas já voltou. Não encontro as peças do meio. Tenho tentado, mas as cortinas não deixam que complete o cenário. Vejo sombras. Temo que seja do estado débil em que me deixei cair. Fumo demais. Bebo demais. Sonho demais. E tento, tento sempre encontrar as peças que faltam. O que há para além das sombras. Que vida se vive fora daqui. É longe. O barulho não chega até mim. Qual será o perfume. Que música se ouvirá. A felicidade morará ali? É que há muito que saiu deste quarto. Sempre soube que descera as escadas e atravessara rua. Não, o amor também saiu. Fê-lo da pior forma, atirou-se da janela. Volto a espreitar. Volto a beber. Não quero comer. Olho. Ainda há luz, ali. A que restava aqui mudou-se. Mas eu sei que é ali. Do outro lado da rua. Eu sei. É ali que tudo acontece, porque aqui nada há para acontecer. (Oldmirror)

Procura a maravilha.
Onde um beijo sabe a barcos e bruma.
No brilho redondo e jovem dos joelhos.
Na noite inclinada de melancolia.
Procura.
Procura a maravilha.

- Eugénio de Andrade

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6/27/2006

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Entrámos na cama como no campo de batalha. A guerra vence-a quem mais tocar, quem mais amar, quem baixar a guarda e não pedir a protecção dos deuses. Num castelo erguido com os lençóis negros que esperam os brancos despojos de uma luta sem tréguas, combatemos de olhos fechados e sentimos prazer nas marcas que deixámos. Recusámos as armas e defrontamo-nos de mãos nuas, prescindimos de armaduras e nus caímos voluntariamente na arena. Estavamos decididos a morrer ali mesmo já sem forças para seguir em frente, já sem fôlego para o que quer que seja. A estocada final mata-nos aos dois e, abraçados, gelados pelo suor que começa a esfriar, sentimo-nos mortos, sentimo-nos vivos. (Oldmirror)

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