6/21/2007

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Mãos que sabiam a tarde de maçã, a bife na chapa, mãos que se mexiam vagarosamente, mão sofridas e, no entanto, tão macias, mãos que me faltam. As mãos que mais sofreram foram as últimas a desistir, mãos que na despedida não tive coragem de apertar com as minhas, mãos que no fim foram olhos, foram extensão do coração, foram traduções de sentimentos na despedida anunciada. (Oldmirror)
Lembro-me da minha mão pousada sobre a tua
e esse instante está debaixo
da palavra solidão.
- José Luís Peixoto

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2/26/2007

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[Todd Stoddart.06 perfumed by Jasmin]
Resignamo-nos ao incontornável e acabamos felizes. Somos bafejados por momentâneos períodos de lucidez e depressa regressamos à vertigem de uma vivência afastada da normalidade por uma opção feita há demasiado tempo para que as suas motivações sejam ainda recordadas. Fomos ficando, pronto. (Oldmirror)
Fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu sabes: ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer: amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.
- José Luís Peixoto

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11/08/2005

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[Foto by Victor Doldor]

Por quanto tempo ficarás apenas a olhar o meu peito aberto? Por quanto tempo não o fecharás com um abraço? O que impede o teu coração de bater mais forte, os teus braços de se cruzarem com os meus, os teus lábios de provarem o nosso gosto? (Oldmirror)

Is someone getting the best of you?

- Foo Fighters

Sorrindo, mergulhávamos os lábios no veneno quando pensámos que bebíamos o antídoto

- José Luís Peixoto

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8/03/2005

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E ela. Mulher. As promessas. O rosto. Nunca te menti. Se te disse o céu, era o céu; se te disse sol ou água, era sol ou água; se te disse manhã, era a manhã dos teus olhos a enganar-me. Sem que os teus olhos me enganassem. O engano de uma manhã que nasceu nos teus olhos. Sonhámos. Sonhámos e fomos cegos. E não tenho medo da palavra amor. Não tenho medo das palavras. Vê como digo morte: morte morte morte morte morte. Repito-a assim e roubo-lhe o sentido. Roubo morte à morte. Roubo trevas e solidão. Morte morte morte morte morte. Não tenho medo das palavras. Torno a ver os teus olhos diante dos meus, manhã, e quero que esta seja a nossa última palavra: amor.
- José Luís Peixoto

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7/06/2005

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[Foto on Nerve]

"Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor. Eu sei exactamente o que é o amor. O amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer. O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa. O amor é sermos fracos. O amor é ter medo e querer morrer."

- José Luís Peixoto

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